terça-feira, 18 de novembro de 2008

Primeira vez

A lua está crescente. Faz um mês que descobri qual será meu endereço pelos próximos três anos. É a primeira vez, minha primeira vez. Já perdi 3kg de tanta ansiedade. Eu tenho sorte, porque quando fico ansiosa demais não consigo comer e sempre emagreço. Na verdade, a ansiedade me faz muito bem. Não gosto das mesmas coisas, dos mesmos lugares, das mesmas cores.

Pintei as paredes do meu palácio. Se é pra pintar, que haja cor nisso. A sala é verde e marrom. Meu quarto é amarelo. O quarto das princesas é lilás. Agora eu tenho a minha própria suíte com closet. Troquei o piso também. E vou entrar pisando com o pé direito. O meu ficante já comprou o fogão. Vou tirar todo o lixo que não me pertence, lavar o chão com água de anil e queimar um incenso em cada peça. Aliás, até paredes foram erguidas lá dentro. Na verdade, bom mesmo seria não ter as paredes. Na verdade verdadeira, bom vai ser sair do mesmo e pular no novo. É a minha primeira vez. Como será que vai ser? Ansiedade. Primeira vez. Eu que tanto quis isso. Só sei que aconteça o que acontecer eu não volto.

Mudei a cor do meu cabelo. Mudei o jeito de falar. Mudei o modo de olhar o mundo. Parei de enxergar as coisas como a menina e passei a encarar essa gente como mulher. Porque agora eu sou mulher. E vou ser pra sempre a mulher de um homem só. Porque eu gosto mesmo é do novo, e nesses dias bizarros, estranho mesmo é a gente viver como os papagaios. Eu quero ser um golfinho. Mas na verdade eu sou uma baleia. E na verdade, a verdade me faz muito mais forte. E na verdade, minha força vem dessa gente, dessa minha família, essa família que se ajustou pelo caminho e agora vive em simbiose. Nós dependemos uns dos outros. Dependemos da felicidade uns dos outros. A gente se ama e vai ter uma casa muito feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário