Eu não minto, eu não finjo. Não uso máscaras, e nem mesmo maquiagem que disfarce minha sombra no olhar. Não me envergonho de dizer que não sou alegre o tempo inteiro, que minha vida não é tão bela, que não tenho tudo o que quero. Meu hálito não está sempre bom, minha pele acorda estragada muitas vezes por dia, brigo com o meu cabelo, tenho celulites, estrias, varizes. Mas sabe de uma coisa? Isso faz de mim uma mulher completa! Tenho cicatrizes, muitas visíveis e outras no coração. Eu choro a noite inteira e acordo com a cara inchada, eu suo e cheiro mal. Mas pelo menos não sou de plástico. Não quero a felicidade total, nunca morei num castelo, bruxa alguma me prendeu na torre e muito menos fui salva por um príncipe encantado (aliás, eles não existem de verdade. Só de plástico; parafraseando o Tio Diogo). Eu sou de verdade. Eu tenho mau humor, mas quando o orkut me perguntou sobre meu humour , não respondi friendly e campy/cheesy, e sim raunchy e dry/sarcastic (é verdade! Vai lá ver, Clá, la Puyol). Porque eu sou assim. Não há fármaco que altere este estado. E mesmo que houvesse, não é justo mudar uma personalidade, a minha persona, que é produto de 28 anos de experiências, situações, derrotas, vitórias, amarguras e superação. Não quero mudar o que sou. E tem mais, eu e mais um bocado de gente acha no mínimo instigante o meu senso de humor. Eu gosto de poder dizer que não rio por qualquer bobagem, que o pão e circo não me diverte, que eu não estou na massa, no povo. E me sinto privilegiada por não agradar a maioria das pessoas. E acho que sei algo mais que a maioria por saber que eu realmente não preciso agradar a maioria das pessoas. E por quê? Porque a maioria é comum, a maioria é estúpida, é imbecil.
Eu não sou da maioria. Graças ao acaso e à interação genes-ambiente (thanks mom and dad!) estou na pontinha da curva gaussiana. Assim como meus amigos: nerds, marginais, excêntricos, artistas, doidos, escandalosos. Estamos todos lá no rabinho da normal. Estamos todos na ilha de Bernard Marx, pra onde as pessoas que não se enquadraram na nova Londres de Ford foram mandadas. Vivemos sem soma, não somos um de todos. Nossa complexidade está na simplicidade. É tão difícil entender quem ama por todas as facetas que o sentimento apresenta, por aceitar que conhecer a dor é bom, que facilitará saber quando algo não vai bem, seja no corpo seja na mente. Não queremos perder a capacidade de sofrer, eu não quero parar de chorar. Preciso de lágrimas para lembrar que estou viva.
Nascemos perfeitos - ainda que com cara de joelho - e nos desvirtuamos do "ideal" pelo meio do caminho.Felizmente. Nerds, marginais, excêntricos, artistas, doidos, escandalosos. Todas as espécies de adoráveis desvirtuados, pervertidos e perdidos, que são a graça e tempero do mundo.
ResponderExcluirQuem quiser perfeição, simpatia, bom humor constante e previsibilidade que vá assistir novela das 8.
Em tempo, nós mal-humorados e sarcásticos temos nisso boa parte do charme ;)
Normalóides e Barbies MORRAM!!
Olha.. Eu nem lembro mais como vim parar nesse blog, mas tenho que falar que esse post é simplesmente fantástico!
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