Não haveria melhor momento para escrever sobre tudo aquilo que vem fazendo parte da minha vida nos últimos meses. Ontem aconteceu o casamento da Micha e do Kbeça, meus mais novos amigos de infância. Ontem também aconteceu o que foi o último show do Fernie com a Nacional Kid, banda que ele e o Lelo começaram, há treze anos, em Bento Gonçalves. Ontem também comemorei o fechamento do segundo ano do início do tempo mais feliz da minha vida, e ontem, pela primeira vez, ouvi o Fernie ao microfone pela primeira vez na vida, e ainda por cima, dizendo que me ama! Ontem foram realizados alguns desejos projetados por anos e anos. E, de alguma forma, nesta noite, todos deixaram de lado a vida que conheciam até agora para jogar-se num mundo completamente novo, desconhecido e justamente por isso, maravilhoso. Inevitável não chorar ao ver a carinha liiiiiinda da minha afilhada subindo ao altar, ao ver a emoção nos olhos de cada um que assistiu à cerimônia mais linda que já presenciei. Quem estava lá sabe e entende o que digo. Também não pude me conter ao ver aqueles marmanjos, Lelo, Falcão e Kbeça, chorando abraçados e despedindo-se do companheiro de estrada, palco e cervejada (sim, eu sei que é!)
Mas o que muita gente não sabe é que, faz pouquinho tempo, passei pelo maior aperto na vida, vi meu mundo ruir e toda a confiança se perder. Por alguns minutos me senti a criatura mais solitária e abandonada do mundo, niguém havia me dito que tem coisa muito mais dolorida do que quebrar um dedo. E eu digo que me senti assim por alguns minutos porque, logo em seguida, brotaram como que do nada pessoas maravilhosas, incomparáveis e insubstituíveis que me fizeram sentir amada, protegida e segura. E sim, eu vou citar nomes: a Michelle, que não me deixou cair e me segura desde lá até hoje (é, isso mesmo, só de saber que tu existe)e seu agora respectivo marido Ayrton Kbeça, que de longe e lá do outro lado, junto com o Lelo (que surpresa pra mim!) não deixaram a peteca cair pro lado de lá, a grandessísima Kuky, que com um jeito de pensar e agir e falar extremamente pareceido com o meu soube traduzir o que eu estava pensando mas não conseguia identificar, apesar de ela própria estar numa situação, hum... vejamos, interessante por assim dizer, também fechando os próprios ciclos. Meu ídolo Gornatti que, tenho certeza, aplicou toda sua sabedoria chauvinista de alguma forma a não deixar ir por água abaixo tudo aquilo que ele ajudou a construir, mesmo que eu só fosse vir a saber muito tempo depois. E claro, aquela amiga que me conhece mais do que eu mesma, desde sei lá, nossos seis aninhos, que me ligou antes mesmo de eu me dar conta de que precisava falar com ela, aquela que só da gente se olhar não precisa dizer mais nada, Tekinha amada, minha verdadeira alma gêmea, só porque a gente é muito esquisita!
E depois que passa o susto, que as mágoas vão embora, é que vemos que tudo é necessário, que nada na vida acontece por acaso e que, por pior que seja o agora, temos que confiar que as dificuldades vêm para nos fazer melhores, mais felizes e mais seguros de nossas decisões. E realmente, passada a tempestade posso olhar de novo o mar azul daqueles olhos e reconhecer todo o amor do mundo ali dentro, que me dá a certeza de ter feito somente a coisa certa. Certeza de que aprender a peordoar é uma lição valiosa justamente por ser a mais doída. E certeza de que isso que sentimos um pelo outro resiste às intrigas, às fofocas e às maldades e invejas alheias. Fico mais feliz ainda por saber que temos muitos amigos que nos querem bem, e sabem que o nosso bem é estarmos juntos.
Agradeço a todos vocês, que nos ajudam a escrever e desenhar essa historinha tragicômica que com certeza um dia vai virar novela mexicana. Falo por mim e pelo Fer/Fernie/Salton, amamos muito toooodos vocês!!!!
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