Não preciso justificar o fato de não acreditar. É absurdamente ilógico. É como explicar que não vejo um livro em cima da mesa porque não há um livro em cima da mesa, ou ter que explicar que não ouço uma música porque não tem nada tocando. E mesmo assim, a gente sempre se vê obrigado a ouvir pregações e a ter de dar satisfações do porquê de não acreditar em deus.
Eu não acredito porque não vejo, porque não tenho provas. E por que alguém acredita?
Bem, tudo tem uma razão, e o fato de eu não acreditar não significa que um dia a "existência" de deus não tenha sido importante. Tanto que os primeiros registros arqueológicos de cultura na nossa espécie remetem à prática mais antiga: o culto ao desconhecido, o tratamento com os mortos, os rituais fúnebres. Totalmente compreensível. Imagine você, sozinho, fraco, cercado de mamíferos dez vezes mais fortes, mais ágeis, louquinhos para comer a sua deliciosa carne. Agora imagine você, e mais uns vinte de você. Aquele mamífero gigante já não é tão assustador. O medo foi dividido 20 vezes. Muito mais simples. Muito mais seguro viver em bandos, um protegendo os outros. O ser humano é um ser social, não há dúvidas. E isto não nos torna muito diferentes das formigas, das abelhas, dos orangotangos. Não é novidade nenhuma na cadeia evolutiva ser social. Mas este fato, esta sociabilidade que surgiu em determinado momento da evolução foi determinante na hora de sermos selecionados positivamente como uma espécie apta a sobreviver na Terra (aqui sim eu uso uma letra maiúscula). E acredito que a religião teve um papel importantíssimo quando o assunto era manter um bando de macacões pelados unido.
Sociedade nenhuma se organiza sem regras. A religião serviu para ditar as regras para um bando que não era mais sensível aos ferormônios como as abelhas e as formigas, serviu para impedir que um comesse ao outro, que um matasse a cria alheia para que sobrasse mais suprimento para si. Mais tarde, impediu que familiares casassem entre si, evitando assim a extinção de clãs em função de anomalias genéticas, impediu que seus líderes tivessem famílias, para que pudessem dedicar-se exclusivamente aos cuidados com o seu grupo. E acima de tudo, a religião cumpriu muito bem o seu papel de explicar (de maneira lúdica e instigante) princípios de moral e ética a seres que não entendiam o fato de não poder simplesmente enfiar uma espada na cabeça de quem lhe aporrinhasse.
Bem, eu e muita gente não precisamos de um deus, um ícone, um jesus qualquer dizendo no nosso ouvido que não devemos matar porque é feio, que não devemos ser desleais pra não arder no inferno. Também não precisamos que nos digam que devemos ser gratos e ficar felizes com o que temos. Poxa, a gente lê jornal, acessa a internet e sabe que tá assim de gente lá fora com problemas muito piores que os nossos. E acreditem, a gente se entristece de ver que em muitos lugares tem criança que morre de fome, que tem mulher que morre apedrejada, que tem pai que fica sem comer pra dar aos filhos. Ou seja, ateístas ou não, temos capacidade de EMPATIA, o que muitos religiosos chamam de ter "deus no coração"(putz, ter algo onipresente, onipotente e onisciente no coração poderia muito bem entupir a aorta, né? tá, desculpa, #shameonme).
Empatia nada mais é do que a capacidade de se colocar no lugar de outrém e imaginar o quanto aquela situação pela qual ele passa o faz sofrer ou o faz feliz. A falta de empatia faz um psicopata. E um psicopata não é necessariamente um assasino serial killer, é apenas alguém que não entende o sofrimento que não seja o seu.
Enfim, somos ateístas, somos empáticos, mas não simpáticos. Eu e todos os outros de nós não saímos por aí matando os nossos desamores. E não é por que deus acha feio ou porque temos medo da danação eterna. É porque a gente sabe que matar é errado. A gente sabe que vai doer em quem morrer, que por mais que o cara seja um tremendo de um sacana, ele provavelmente tem uma família que vai ficar muito triste, mesmo sendo uma família de sacanões e sacaninhas. A religião não é mais necessária para nos ensinar o certo e o errado. Nossa capacidade de abstração nos permite entender que regras são necessárias para o bom funcionamento de uma sociedade. Não precisamos que uma entidade fictícia escolha os nossos feijões, separe o bom do mau. Assim como uns nascem sem sisos, outros têm o último par de costelas menor, e assim como um dia nosso intestino diminuiu e ganhamos um apêndice, nós aqui deste bando não temos religião. Simples assim.
Entretanto, não somos super heróis, X-Men ou Freakazóides, nem estou aqui chamando ninguém de primata.Experimente perguntar para um ateísta se ele acha que seria mais feliz sendo religioso. Pode apostar, a resposta será sim. O ateísmo te coloca num patamar tal de responsabilidade, e agora você não pode mais jogar a culpa em deus pelo fato de você ser pobre, ou de ser burro, ou de ser feio ou de ser um azarado. Não foi deus quem quis assim, você sabe. Ateístas não têm um bode expiatório para levar as culpas da mesma forma que não têm um benfeitor a agradecer pelos acasos. E ateísta não tem inferno, mas também não tem paraíso, nem céu com querubins, nem sete virgens esperando numa escada marmorizada. Os pais do ateísta não viraram estrelas, seus filhos não viram anjinhos, seus cachorrinhos não foram para uma fazenda de jesus cheia de outros cachorrinhos para brincar. A gente sofre, é de carne e osso como todo mundo, e busca em outros lugares a melhor forma de aplacar as dores de viver. Com certeza tomamos muito mais prozac, zoloft, diazepínicos e rivotrils.
E a gente sofre. Eu sofro quando ouço quem diz que eu não tenho amor no coração, quando dizem para minhas filhas que todos os problemas que elas têm na vida devem-se ao fato de não serem batizadas. Pelo preconceito, pela agressividade, pela intolerância, eu sofro. Assim como choro vendo gente brigar por religião, por alás ou jeovás, pelo alcorão e pelo talmud. E eu sofro quando tenho que explicar tudo isso que disse aqui para um religioso que não me apresentou nenhuma prova concreta que me fizesse abraçar o seu deus. Quando eu vejo que ateístas não agridem ninguém por sua fé, muito pelo contrário, entendem e ainda explicam, justificam e são condescendentes com a necessidade de espiritualidade e separação de alma da mente. Eu me entristeço. Mas me acalmo no pensamento de que é tudo parte da evolução. E de que minhas dores são de crescimento.
Clá, tem missa agora as 10h, vamos? :P
ResponderExcluirAmém, Puyol!!!
ResponderExcluir(no sentido ateu da palavra)
Imprimi e coloquei na carteira pra emergências.
ResponderExcluirBom você tambem não tem provas de que Deus não exista, com todo respeito. Mas eu passei por experiências em que tive um contato profundo e pude provar que ele existe e que alem de ditar o que é certo e errado Ele cuida de mim.
ResponderExcluirBom as pessoas acreditam em suas experiências, devemos ter respeito por quem acredita e por quem não acredita!
Davi
Oi Davi, exato! Se as provas que tu tens são suficientes para te convencer da existência de deus, ótimo! Parabéns! (In)felizmente até hoje nada que me foi apresentado serviu para me fazer acreditar na existência de alguma divindade. E, pela lógica, eu não tenho que provar que alguma coisa não existe, certo? Eu respeito totalmente quem crê, independente dos motivo, e este texto escrevi somente com o intuito de ser ao menos respeitada na minha descrença também. Para que todos nós, ateístas, sejamos respeitados, coisa que não vem acontecendo nos últimos tempos. Aliás, o desrespeito foi transmitido em rede nacional, por determinado "jornalista", durante mais de 30 minutos, sabia?
ResponderExcluirOi acho que você foi meio parcial.
ResponderExcluirNem todo mundo briga, ou vira a cara pros outros por causa de Deus.
Nem toda pessoas religiosa acredita em inferno, ou que deus matou o filho de alguem pq precisava de mais um anjo no céu, pq a biblia não diz isso!
O problema é que hoje as pessoas veem as igrejas como um negocio e não se preocupam com que elas estão ensinado(se é que deveriam), isso realmente afeta uma pessoas que acha que não tem mais a quem recorre.
A biblia é tão clara e exata quanto a ciência.
Nós temos apenas que entender...
Obs:Mas apesar de tudo, eu ainda prefiro conversar com ateístas sobre algo do com alguem que se diz "cristão".
Não, nem todo mundo briga. Certo. Não concordo que houve parcialidade, pois o texto fala para quem vem brigar, marginalizar e menosprezar ateus.
ResponderExcluirE eu realmente não entendo a bíblia. O pouco que li bate de frente com a minha maneira cartesiana de pensar. Entendo a bíblia como entendo um poema, ou seja, metaforicamente.
E obrigada pela preferência. Muita gente por aí se diz crstão e na verdade é um fdp. Sem generalizar, claro.
Adorei, concordo em gênero, número e grau. Costumo dizer copiar a frase: "Perdemos o benefício da ignorância."
ResponderExcluir